Qua, 23 de Maio de 2018
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Classificação de perda Auditiva - Análise de Critérios

Fga. Graziella M Loyola

Considerando a prática em audiologia clínica e ocupacional, torna-se difícil aceitar que, um indivíduo com limiar auditivo de 20 ou 25dB tenha a audição normal. Lembro-me que, enquanto ainda estava na faculdade, costumávamos encontrar limiares auditivos de -5dB, -10dB entre os colegas e, isto sim era considerado normal. Quando, em uma freqüência, alguém apresentava limiar de 15 ou 20dB, algo deveria ser pesquisado em relação à sua saúde.

 

Esta "característica auditiva" vem se modificando ao longo do tempo, principalmente porque, as crianças, adolescentes, jovens, enfim, a população em geral, se expõe cada vez mais a níveis de pressão sonora elevados, seja de algum brinquedo, eletrodoméstico, equipamentos sonoros, festas ou até mesmo das máquinas de pequenas e grandes indústrias.

CELANE & COSTA FILHO (1991) realizaram um estudo para medir as intensidades sonoras em atividades de lazer mais freqüentemente relacionadas a crianças e jovens. Segundo os autores, em pista de patinação no gelo (de 78 a 89dBA), academia de ginástica (de 86 a 92dBA), boliche (de 77 a 90dBA) e no aeromodelismo (de 74 a 88dBA), os usuários além de expostos a ruído elevado permanecem em constantes atividades físicas, o que pode potencializar possíveis danos à audição (LINDGREEN, 1987). Ainda neste estudo, os autores encontraram níveis de pressão sonora fixados entre 40 e 50dBA em restaurantes e em locais para esportes, entre 45 e 60dBA.

No Brasil, segundo DIAS & MIRANDA (1998), foram observados níveis de pressão sonora que vão de 99 a 130dB em ambientes de discotecas, de 100 a 115dB nos concertos de rock, e de 70 a 113dB em equipamentos de fone de ouvidos.

A idéia de que a perda auditiva induzida por nível de pressão sonora elevado é somente o resultado de um ruído ocupacional é perigosamente equivocada. Níveis de ruído em lugares e mesmo em veículos de transportes estão bem acima dos níveis considerados causadores da perda auditiva.

É importante ressaltar que se existe a necessidade de elevar a voz para ser ouvido, o ruído ambiental pode estar bastante intenso e deve ser evitado.

Dos diversos problemas de saúde causados pelo ruído, a perda auditiva é a mais claramente observada e mensurada pelos profissionais da área de saúde. Os outros problemas são difíceis de se relacionar ao ruído. Por exemplo, há indicações de efeitos nos fetos quando as mães estão expostas ao ruído ocupacional. Enquanto ainda está no útero materno, a criança responde aos sons existentes em seu ambiente. Particularmente altos níveis de ruído estimulam diretamente o feto, causando aumento da freqüência cardíaca. Quando o organismo da mãe reage ao ruído, as alterações físicas que ocorrem podem ser transmitidas ao feto.

Também os indivíduos mais suscetíveis podem ter no ruído um fator de complicação para problemas cardíacos e outras doenças. Durante a infância, a exposição a altos níveis de ruído pode gerar dificuldades no aprendizado da criança como também problemas à sua saúde. Mais tarde, na vida, pessoas de mais idade podem ter problemas com o sono e dificuldades com o repouso.

A comunicação hoje é tudo na vida social para o cidadão. Então não basta ouvir tons puros, precisa-se entender a palavra, e assim, integrar-se no ambiente. Como a perda auditiva pode progredir e afetar as freqüências significativas para o entendimento da palavra (500 a 3000Hz), considerável dificuldade ocorrerá na comunicação, explicou KWITKO (2001).

Pessoas com surdez parcial devido à exposição a ruído não vivem necessariamente num mundo silencioso. Muitos sons permanecem audíveis para eles, mas são percebidos de forma distorcida, com pouca clareza. Na fala, e especialmente as consoantes de alta freqüência, sons como "s" e "ch" são constantemente perdidos ou não se distinguem de outros sons. Quando expostas a altos níveis de ruído, as pessoas com perda parcial da audição podem experimentar desconforto e dor; e também, freqüentemente sofrem de zumbidos.

Considerando que uma perda auditiva induzida por ruído só acarreta transtornos da comunicação a partir do momento em que afeta a freqüência de 3kHz e daí para freqüência baixas, é fundamental que o critério de classificação a ser adotado valorize este aspecto, salientando diferenças existentes entre as perdas auditivas leves e as mais avançadas.

Segundo RUSSO & BEHLAU (1993) as vogais podem ser identificadas pela análise espectrográfica dos 3 primeiros formantes, ou seja, faixas de freqüência que caracteristicamente contêm uma concentração maior de energia acústica. e que, fundamentalmente, a freqüência máxima pertence a vogal / i /, com valor aproximado de 3600 Hz. Para as consoantes, as regiões de incremento de energia no espectro são áreas de alta intensidade.

De todas as consoantes, as que atingem as maiores freqüências são /f,v,s,z/, todas conhecidas como sons fricativos. Os sons de /f,v/ são pouco intensos na análise espectrográfica, e sua faixa de freqüência se estende de 1200 Hz a 7000 Hz. Os sons de /s,z/ são sons considerados fortes, podendo variar sua faixa de freqüência entre 4500 Hz e 8000 Hz.

Como sabemos, apesar dos exames que atualmente começaram a fazer parte da prevenção à PAINPSE, a audiometria não será substituída pelos mesmos, principalmente, pela sua eficiência, praticidade na realização, custo x benefício, assim como, pela exigência legal. Portanto, este exame se torna base importante para interpretação do tipo e grau da perda auditiva e, configuração audiométrica.

Sendo a curva audiométrica da PAINPSE, geralmente, descendente, precisamos analisar, não só as freqüências graves, mas principalmente, as freqüências agudas. Considerando então, a comunicação social, as regiões de incremento de energia no espectro dos sons menos audíveis (consoantes), ou seja, a faixa de freqüência de 1 a 8kHz representa 60% de inteligibilidade para a fala, segundo Fleicher (1953), enquanto que para os sons grave (250 a 500Hz), representa 5%.

Em se tendo as freqüências graves preservadas, onde a concentração de energia é maior (42% de 250 a 500Hz e 35% de 500 a 1000Hz) e um rebaixamento nas freqüências altas, onde há significativa redução da inteligibilidade da fala, haverá um reforço das vogais e, conseqüentemente, mascaramento das consoantes.

Desta forma, o indivíduo portador de perda auditiva com estas características, a depender do grau de severidade, tende a apresentar uma redução drástica na conciliação de fala, principalmente em ambientes barulhentos. Sem o auxílio do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI) ou até mesmo da solicitação ao interlocutor no sentido de repetir ou aumentar a intensidade da voz o mesmo não pode ouvir bem, nem discriminar adequadamente a mensagem verbal que lhe é dirigida, utilizando-se de outras pistas visuais ou sinestésicas para complementar as informações sonoras o que não ocorre a qualquer um sem o devido treinamento.

Dentre os Critério de Classificação mais conhecidos e utilizados, temos o de Davis & Silverman (1970) e o de Silman & Silverman (1991). Este último basea-se no critério de determinação da média baseada em 1, 2 ou 3 freqüências:

- Para as freqüências médias/baixas

Média de 500, 1000 e 2000Hz - quando a diferença entre os limiares de 500 e 2000Hz for menor ou igual a 20dB;

Média das duas piores frequências - quando a diferença entre os limiares de 500 e 2000Hz > a 20dB, mas não há diferença > 20dB entre as duas piores freq. (1000 e 2000Hz);

Média entre a pior freq. da fala e a interoitava entre as duas piores - quando a diferença entre os limiares de 500 e 2000Hz > a 20dB, e diferença > 20dB entre as duas piores freqüências.

- Para as freqüências altas

Limiar de 4000Hz - quando a diferença entre 2000 e 4000Hz for menor ou igual a 20dB;

Média de 3000 e 4000Hz - quando a diferença entre 2000 e 4000Hz for menor ou igual a 20dB.

A Classificação do grau da perda auditiva considerando o critério acima, é:

< 26dB - Audição NORMAL

26 a 40dB - Perda auditiva LEVE

41 a 55dB - Perda auditiva MODERADA

56 a 70dB - Perda auditiva MODERADAMENTE SEVERA

71 a 90dB - Perda auditiva SEVERA

> 90dB - Perda auditiva PROFUNDA

Percebe-se que este critério além de causar possibilidades de erro durante a análise do audiograma para o cálculo da média, não é considerado tão prático para a rotina dentro de uma fábrica onde o PCA está implantado e é necessário realizar o Gerenciamento Audiométrico de mais de 550 empregados, por exemplo.

Desta forma, alguns estudiosos têm levantado hipóteses e estudos a fim de estabelecer um critério de classificação do grau das perdas auditivas que atenda às necessidades dos profissionais da área de audiologia clínica e ocupacional, padronizando assim, a linguagem utilizada para descrever o diagnóstico/parecer/laudo fonoaudiológico ou pericial.

Durante o I Simpósio Internacional de Audiologia Ocupacional realizado em Maio de 2006, ao justificar a importância de uma análise não só das freqüências baixas, mas também das médias e altas, conforme descrito acima, a Dra. Iêda P. Russo relatou que após algumas análises e pesquisas foi necessário separar o "audiograma ao meio" para que a análise apresentada correspondesse à queixa e sintoma que os indivíduos com perda auditiva costumam apresentar.

Sendo assim, a mesma apresentou o seguinte critério:

Média I - 250, 500, 1000 e 2000Hz/ 4

Média II - 3000, 4000, 6000 e 8000Hz/ 4, onde:

Obs.: A interpretação do grau da perda auditiva ser realizada por faixa de freqüência, ou seja, um parecer para a média I e outro para a média II, sendo que nada impede de se acrescentar qualquer informação pertinente sobre a capacidade auditiva do indivíduo.

Fga. Graziella M Loyola

Audiologia Ocupacional

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