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Queixas vocais e grau de disfonia em professoras do ensino fundamental

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por Kendra Chihaya
Qua, 19 de Agosto de 2009 08:23
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Pesquisa da Universidade de São Paulo mostra que professores da fase pré-escolar são os que mais são acometidos por problemas vocais


noticia0027 1Pesquisa coordenada pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e publicada na Revista Brasileira de Otorrinolaringologia em Dez/2003, mostrou que 80,7% dos professores da pré-escola ao ensino fundamental apresentam algum grau de disfonia vocal. Dentre estes, os professores da fase pré-escolar são os profissionais mais acometidos por transtornos vocais. Fato este justificável pelo fato de que a maioria dos professores desta fase são mulheres, que possuem uam frequência vocal muito próxima das crianças o que as obrigam a aumentar a intensiade da voz para se fazerem ouvir.

 

O estudo sugere que medidas preventivas devem contemplar a redução da carga horária e do número de alunos por classe, bem como o tratamento de afecções concomitantes, além da obtenção de diagnóstico laringológico preciso. Tratamento de alergias respiratórias e do refluxo faringo-laríngeo podem auxiliar na prevenção e no tratamento de disfonias antes tidas como puramente funcionais.


 

Sobre Disfonia

disfoniaA maneira como alguns profissionais (professor, cantor, ator entre outros) utilizam a voz para se comunicar profissionalmente é conhecida como voz profissional. A voz, além de ser considerada o principal instrumento de trabalho desses profissionais, é um meio de transmissão de sentimentos e conhecimentos.

Dessa forma, esses profissionais frequentemente procuram o fonoaudiólogo para tratamento vocal, uma vez que é comum apresentarem alterações vocais atribuídas a condições desfavoráveis de trabalho e ao desconhecimento dos cuidados que devem ter com a voz, o que acaba provocando uma série de abusos nocivos à saúde vocal. Os fatores negativos mais comuns aos professores envolvem presença de ruído, fumo, pó de giz, álcool, fala excessiva, poeira, beber gelado e fala em forte intensidade. As queixas vocais mais frequentes são: rouquidão, fadiga vocal, pigarro, tosse, dor de garganta, ardor e garganta seca. Na cidade de Belo Horizonte, um outro estudo realizado com os professores da Rede Municipal de Ensino evidenciou que o mau uso e o abuso vocal são os principais fatores causais de disfonia entre esses profissionais.

No entanto, vários fatores podem levar esses profissionais a cometerem abusos vocais. A acústica desfavorável, o alto índice de ruído competitivo no interior da sala de aula, a ausência de equipamentos de amplificação sonora, a necessidade de lecionar por vários turnos, a ausência de cuidados necessários à saúde vocal e a exigência de produtividade, somados ao pouco conhecimento de técnicas vocais adequadas para o exercício da profissão, são alguns desses fatores. Esses abusos vocais, quando ocorrem de maneira constante, podem levar a alterações nas pregas vocais e, consequentemente, a impactos negativos na vida do professor, interferindo também na sua relação com o aluno.


Sobre a Pesquisa

Observar a prevalência deste sintoma em professores de pré-escola e da escola primária e avaliar fatores e sintomas associados, facilitando a promoção de medidas de prevenção desta manifestação ocupacional foi o objetivo deste estudo.

Foi realizada coleta de dados de 451 professores (pré-escola e quatro primeiras séries do ensino fundamental) de 66 escolas municipais de Mogi das Cruzes. Ao lado de dados de identificação e demográficos, o questionário abordou questões relacionadas à atividade de professor, à disfonia, presença de sintomas concomitantes e hábitos. Trinta profissionais com problemas constantes de voz foram submetidos a telescopia laríngea, sendo seus diagnósticos tabulados. Os dados foram analisados e as vozes classificadas por três fonoaudiólogas com experiência clínica na área, mínima de cinco anos.

 

Os resultados mostraram que 80,7% dos professores referiram algum grau de disfonia. Não observamos relação entre idade, tempo de profissão e classe atendida e freqüência referida de disfonia. Não houve associação entre freqüência de disfonia e número de fatores extra-profissionais de abuso da voz ou tabagismo. Observou-se relação direta entre a freqüência de disfonia e a carga horária semanal e o número de alunos por classe. O diagnóstico laringoscópico incluiu, ao lado de lesões características de esforço vocal, alterações congênitas e outras etiologias.

 


Fonte: Revista Brasileira de Otorrinolaringologia

 

 

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