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Glicemia alta, diabetes, problemas cardiovasculares entre outros favorecem o zumbido no ouvido

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por Kendra Chihaya
Qua, 02 de Maio de 2012 14:03
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Considerado um "sintoma fantasma" o zumbido tem causas reais. Mais de 90% dos pacientes com problemas também possuem perda auditiva

einstein-saude-zumbidoEstudos diversos apontam que entre 15% e 25% das pessoas no mundo têm zumbido no ouvido, ou tinnitus, (nome técnico). Segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS 28 milhões de pessoas no Brasil possuem zumbido, ou seja, cerca de 14% da população brasileira. Estudos internacionais também indicam que o problema tem se tornado mais recorrente em crianças e idosos. Entre as crianças de 5 a 12 anos, sugere-se que 31% tenham zumbido. No grupo dos indivíduos acima de 65 anos, esse percentual salta para 33%. Dessas, cerca de 80% não ligam para o problema. Os demais sofrem com ele em maior ou menor grau.

Taxa de glicemia alta, diabetes, alterações emocionais, problemas cardiovasculares, cigarro, álcool e cafeína em excesso, alguns diuréticos e anti-inflamatórios, tumores, cerume e inflamações no ouvido, além da poluição sonora podem favorecer o zumbido. Segundo o Professor Titular de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) - Dr. Ricardo Ferreira Bento, vários fatores, além de doenças, podem provocar ou agravar o tinnitus. Nesses casos, deve-se investigar e tratar a causa. E mais de uma causa pode estar presente no mesmo indivíduo. “Não costuma ser nenhuma doença grave, mas é necessário fazer exames para afastar possibilidades como a presença de tumores. Muitos casos têm cura ou podem se estabilizar, principalmente quando o diagnóstico é feito precocemente. Por isso, é importante que o paciente procure o médico assim que perceber o problema”, destaca.

Segundo o médico Otorrinolaringologista do Hospital Albert Einstein - Dr. Maurício Kurc, o uso de alguns medicamentos também pode estar relacionado ao zumbido. “Diuréticos da alça, que atuam nos rins, e anti-inflamatórios em doses altas podem causar zumbido reversível. Já os antibióticos aminoglicosídeos podem levar a um quadro irreversível mesmo após o fim do seu uso. Acontecem ainda casos em que o zumbido aparece depois que a pessoa parou de tomar algum medicamento. Além disso, a exposição a ruídos, tanto de lazer quanto ocupacionais, podem ter impacto a longo prazo”, completa o Dr. Maurício.

De acordo com os médicos, o zumbido pode acarretar depressão, insônia, afetar a qualidade de vida e a capacidade de executar atividades rotineiras como trabalhar ou estudar. Ouvir este barulho que ninguém mais escuta pode tornar-se uma verdadeira tortura. Pior, por ser um "sintoma fantasma" nem sempre merece a devida atenção dos médicos e o paciente acaba recebendo a frustrante orientação de aprender a conviver com o problema. Contudo existem sim, tratamentos que minimizam o zumbido, e em alguns casos pode eliminá-lo.

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Em geral, de acordo com o médico Otorrinolaringologista do Hospital Albert Einstein - Dr. Pedro Luiz Mangabeira Albernaz, o zumbido advém de uma atividade neural anormal que afeta os mecanismos de atenção e alarme do cérebro reacionados ao sistema auditivo, fazendo com que a pessoa perceba um som que não está sendo gerado pelo ambiente. Mais de 90% dos pacientes que apresentam zumbido também apresentam algum grau de perda auditiva. Outra característica comum é o agravamento à noite, período de maior silêncio, visto que, os sons diurnos ajudam a mascarar o zumbido.O tratamento varia de caso a caso. Podem, por exemplo, ser prescritos medicamentos que aliviarão desconforto, tais como tranquilizantes, anticonvulsivantes e antidepressivos. Há, ainda, aparelhos com geradores de som que, colocados no ouvido, produzem um ruído semelhante ao zumbido internano, mascarando e proporcionando algumas horas de alívio.

 

Alguns estudos mostram que pessoas toleram mais sons externos do que os proporcionados pelo próprio ouvido.Já o retreinamento do zumbido (TRT) usa um som diferente , com o objetivo de promover habituação, ou seja, fazer com que o sistema nervoso aprenda a ignorar estímulos sem significado. Assim, quando o paciente deixar de ouvir o barulho do aparelho também deixará de ouvir o zumbido. Recentemente surgiu um sistema que mistura diferentes sons com a mesma finalidade.

Em resumo, há vários caminhos para tratar o zumbido. Portanto, quem sofre com isso, não deve dar ouvidos ao conselho: "aprender a conviver com o problema". Pelo contrário, deve buscar entender as causas e buscar soluções que medicina oferece.

 

Fonte: Revista Veja - Einsten e Saúde

 

 

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